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May 28, 2026

28 de maio: Dia Nacional de Luta pela Redução da Mortalidade Materna

A mortalidade materna continua sendo um dos principais desafios da saúde global e um importante marcador das desigualdades sociais e de acesso aos serviços de saúde.

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (WHO et al., 2023), cerca de 287 mil mulheres morreram por causas relacionadas à gestação e ao parto em 2020 , o equivalente a uma morte materna a cada dois minutos. A razão global de mortalidade materna foi estimada em 223 mortes por 100 mil nascidos vivos.

As desigualdades entre regiões do mundo permanecem expressivas. Em 2020, a África Subsaariana apresentou razão de mortalidade materna de 545 mortes por 100 mil nascidos vivos, enquanto a América Latina e Caribe registraram taxa de 88 mortes por 100 mil nascidos vivos. O relatório também aponta preocupação com a estagnação e, em alguns contextos, piora dos indicadores. Entre 2016 e 2020, a América Latina e Caribe apresentaram aumento estimado de 14,8% na mortalidade materna (WHO et al., 2023).

As maiores razões de mortalidade materna em 2020 foram observadas no Sudão do Sul (1223 mortes maternas por 100 mil nascidos vivos), Chade (1063) e Nigéria (1047). A Nigéria sozinha respondeu por aproximadamente 28,5% de todas as mortes maternas globais no período (WHO et al., 2023).

Trabalhos desenvolvidos por pesquisadores do International Center for Equity in Health (ICEH) vêm contribuindo para a compreensão das desigualdades na saúde materna em diferentes contextos sociais e geográficos. Estudos conduzidos em países de baixa e média renda demonstram que mulheres mais pobres, com menor escolaridade e residentes em áreas rurais apresentam menor acesso ao pré-natal adequado, ao parto assistido por profissionais qualificados e aos cuidados obstétricos essenciais.

Análises realizadas em cidades da África Subsaariana identificaram diferenças de até 13,5 pontos percentuais na cobertura de quatro ou mais consultas de pré-natal entre mulheres pobres e não pobres (Blumenberg et al., 2023)

Outros estudos mostram que países afetados por conflitos apresentam níveis persistentemente mais elevados de mortalidade materna e maiores desigualdades no acesso aos serviços reprodutivos e maternos (Akseer et al., 2020).

As evidências também indicam que o aumento da cobertura dos serviços, isoladamente, não é suficiente. Estudos recentes demonstram que muitos países ainda enfrentam desafios relacionados à qualidade da atenção pré-natal e obstétrica, especialmente entre populações socialmente vulnerabilizadas (Arroyave et al., 2021; Blanchard et al., 2026).

No Brasil, hoje é celebrado o "Dia Nacional de Luta pela Redução da Mortalidade Materna" e o ICEH reafirma a importância da produção de evidências científicas, do monitoramento das desigualdades e do fortalecimento de políticas públicas orientadas pela equidade em saúde, para que nenhuma mulher seja deixada para trás.