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January 21, 2026
Estudo da Lancet associa modelos de governo a desigualdades na perda dentária total
Um novo artigo publicado pela Comissão Lancet sobre Saúde Bucal, em colaboração com o Centro Internacional de Equidade em Saúde (ICEH), estabelece uma conexão direta entre regimes de bem-estar social e a prevalência do edentulismo (perda total de dentes). A pesquisa evidencia que o papel do Estado no combate às desigualdades impacta sistematicamente a saúde bucal da população.
O Papel do Estado na Saúde Bucal
O estudo mostra que a magnitude das desigualdades varia conforme o regime de proteção social — que engloba o acesso à educação, saúde, habitação e assistência aos vulneráveis. Em todos os regimes analisados, o quintil de menor riqueza apresentou a maior prevalência de edentulismo. No entanto, a disparidade é muito mais acentuada nos modelos liberais, em que o mercado é o principal provedor de bem-estar. Nesses países, os indivíduos mais pobres têm, em média, 20 vezes mais chances de perder todos os dentes do que os mais ricos.
Nos regimes social-democratas, em países que priorizam a proteção social universal, como os escandinavos, o risco de perda dentária entre os mais pobres cai drasticamente para 3,3 vezes em relação aos mais ricos.
A pesquisa analisou uma base abrangente de 117.397 indivíduos (acima de 20 anos) residentes em 40 países. Este comparativo global só foi possível graças ao processo de padronização de dados de inquéritos nacionais de saúde liderado pelos pesquisadores do ICEH, Aluisio J. D. Barros e Francine S. Costa.
O trabalho destaca a importância de entender a estrutura política como um determinante social de saúde. Ao padronizar dados de diversas nações, o ICEH permitiu uma visão inédita sobre como diferentes modelos de Estado moldam a realidade clínica dos cidadãos.
O estudo detalhado pode ser acessado na revista The Lancet Regional Health – Europe pelo DOI: 10.1016/j.lanepe.2025.101578