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March 31, 2025
Estudo valida novo indicador de saúde materno-infantil e sua relação com a mortalidade infantil em países de baixa e média renda

Um estudo recente apresentou o Indicador Composto de Saúde Materna e Neonatal (MNHci, na sigla em inglês) — uma nova ferramenta desenvolvida para medir a cocobertura de intervenções essenciais em saúde materna e neonatal em países de baixa e média renda. A pesquisa utilizou dados de inquéritos nacionais de 97 países para analisar a distribuição do indicador, sua associação com as taxas de mortalidade neonatal e pós-neonatal, e as desigualdades socioeconômicas segundo renda domiciliar e local de residência.
O MNHci é composto por três intervenções-chave: pelo menos quatro consultas de pré-natal, parto realizado em instituição de saúde e atendimento pós-natal para a mulher ou o bebê até dois dias após o parto. O indicador atribui um ponto para cada intervenção recebida, variando de zero (nenhuma) a três (todas). Os resultados revelam disparidades socioeconômicas marcantes, com maior cobertura entre as mulheres e bebês pertencentes às famílias mais ricas e residentes em áreas urbanas.
Um achado central do estudo é a forte correlação inversa entre o MNHci e as taxas de mortalidade neonatal e pós-neonatal — reforçando o potencial do indicador como uma ferramenta eficaz de monitoramento. Países com pontuações mais altas no MNHci apresentaram taxas de mortalidade significativamente mais baixas. Os dados mostraram, por exemplo, que a adoção das três intervenções esteve associada a uma redução de 47% na mortalidade neonatal (razão de incidência ajustada = 0,57; IC95%: 0,38–0,83), mesmo após o controle de fatores sociodemográficos relevantes.
Esses resultados reforçam a importância de implementar estratégias direcionadas para ampliar o acesso a cuidados de saúde entre populações historicamente excluídas.
Ao oferecer uma métrica simples, confiável e com relevância para políticas públicas, o MNHci se mostra uma ferramenta valiosa para acompanhar o progresso e identificar desafios na cobertura de intervenções essenciais em saúde materna e neonatal. Sua adoção pode contribuir com os países de baixa e média renda na busca pelas metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e na promoção da equidade em saúde materna e neonatal.
Leia o artigo na versão pré-publicada (preprint) no SSRN